Olá a todos !
Vi uma foto da nena, Pedrito, Sara, Mauro, Cacá... deu uma saudade doces...
E depois vendo o pessoal no concentrado, pensando ai... e eu aqui...
Resolvi escrever um pouco...
Passei 3 meses no Japão fazendo kensan direto, e foi bastante interessante !
Deu um clic muito grande na minha mente para este lance do kensan.
O que é isso, esta postura de questionar, indagar, fuçar, aguçar os sentidos para tentar perceber o que acontece consigo, o que vem do outro, como se processa todo este relacionamento, o que cresce dentro, as ervas daninhas que deixamos crescer e alimentamos insconscientemente... incorporando nos nossos hábitos de pensar, agir...
E pensar objetivamente também foi interessante !
Tudo o que vem, como capto, o que esta captação movimenta dentro de mim, quais os pensamentos que surgem, e como eu ajo em cima disso, tudo em camera lenta... passando periodo só na percepção da captação, período so na percepção do movimento interno, periodo só nos pensamentos. E período so na ação... Nossa !
Eu via tudo junto, como se fossem uma lámina só, mas na verdade, são várias lâminas aparentemente juntas, em dimensões diferentes... e perceber a profundidade destas laminas, me deu uma visão mais ampla do que acontece à minha volta, e percebo que não sou o centro de tudo, e que dentro de um todo, há uma partinha quase de nada que sou eu.
E veio um movimento de me voltar para o outro.
De tentar ouvir o outro. Não na imagem que crio do outro, mas o outro mesmo, na real... que na verdade ouço com meus ouvidos, mas o que é ouvir mesmo, ne? Ouvir o que?
Onde está o foco?
Passei 2,5 meses na India com vários mestres, que na verdade parecem pessoas que fizeram um naikan, (um mergulho interno mais profundo) na busca de si mesmo, a ponto de se liberarem das amarras dos pensamentos,etc.
Aí, senti que estamos no caminho certo, da liberação do ser...
Pois enquanto não sabemos quem somos nós, como funcionamos, como tudo isso (corpo, mente, psiquismo,etc) podem ser instrumentos de nosso crescimento espiritual?
E na convivencia com alguns mestres, pude viver a celebração, do esvaziar eternamente, sem colocar nada no copo, sem querer ser alguém, sem buscar fazer algo, mas simplismente soltar infinitamente... esvaziar, esvaziar... até sentir o simplismente SER... e celebrar cada momento no SER !
E dormíamos ao banho de luar, olhando as estrelas... sentindo a beleza das pequeninas florezinhas aos nossos pés, vendo o brilho do sol nas gotas de orvalho,nos galhos de bambu... acordar ao som de violão... e se espreguiçar como gato faz, gostoso, espontaneo, sentindo cada músculo, se alongando aqui e ali...
E na cerimonia de chá das 5 da manhã, tentar ouvir o som entre os sons... e a mente começa tinindo... e daí ir ver o nascer do sol na praia... brilho do sol nas ondas que se espedaçam aos pés... numa brincadeira dançante !!!
Fazer inner yoga na areia, e deixar as ondas levar o corpo, pouco a pouco... e nadar com os folfinhos....
Nossa ! Muitos golfinhos também como que dançando, pulando prá cá e prá lá !!!
Comer cada dia num lugar, olhando os esquilos numa agilidade sem igual de galhos em galhos... os corvos parece que esperando a gente terminar para eles começarem o banquete... e vai dando um relaxamento muito profundo... um relaxamento de soltar uma busca incessante de realizar algo, de ser alguem... e simplismente perceber o que sou realmente !
E aí senti lá no fundo que não preciso ir a lugar algum, e fazer coisa alguma !
E que está tudo dentro de nós !
Já sabia de cabeça, e falava isso pra mim mesma !
Mas, havia dentro de mim um movimento de querer realizar, e encher o copo, pra algo numa corrida louca para dar um sentido à minha vida.
Bom, depois deste relaxamento, entrei num estudo de Vedanta, com Swami Dayananda, de 8o anos que chorrava de uma forma muito gostosa de ouvir a percepção da Unidade que sou. O UM somente. E fui percebendo quantos conceitos de dualidade, com o Yoga de Patanjali e outros movimentos religiosos onde Deus está lá, inalcançavel, e que precisamos de muito chão para a purificação, e que há um esforço nesta conexão...
Estava na dualidade de sujeito e objeto.
E perceber que tudo faz parte de uma mesma coisa.
Que argila e pote são a mesma coisa.
Que a gota de oceano tem a natureza oceanica.
E que não vai morrer, ao espedaçar-se na praia, mas vai se fundir ao mar que já é ela mesma !!!
E neste relaxamento profundo interno, após 2,5 meses de India, cheguei ao Japão em meio à neve, frio, mas muito lindo !!!
Entrei pela 4a.vez no naikan, um curso interessante que quem sabe a gente faça no Brasil.
Muito bom para mergulho interno, sozinho... e cada vez que faço é diferente ! Totalmente diferente !
Vai algumas impressões do que pensei, e algumas fotos dos sakuras do Japão, que so florem uma semana ao ano, e justo quando saí do curso, vi um pezinho todo florido.
Não pude deixar de ver mais alguns pés...
Mas falando do naikan... pensei em perceber mais como é o eu que trago lá no fundo, qual o verdadeiro sentimento, e como é poder se manifestar assim espontaneamente, do jeito que é, sem máscaras, sem conceitos, sem julgamentos... SER a própria expressão !
E começei a pesquisar desde pequena tudo aquilo que considerava bom e tudo aquilo que considerava ruim.
Como via de época em época, em varias situações as coisas. Como se processava dentro de mim.
Percebo que desde pequena buscava uma imagem que seria a minha imagem.
Vejam so ! Não sei por que, e desde quando, mas buscava uma imagem prá mim. E ficava vendo o bom e o ruim, dentro dos meus conceitos... e até hoje, cada vez mais imperceptível, vejo que continuava esta visão de separatividade entre bom e ruim, de julgamento de si e dos outros...
E atitudes minhas que não concerniam com a imagem que eu mesma criei, eu escondia de mim mesma... hahahah... muito estranho, mas assim que eu funcionava !
Escondia porque eu não queria ver isso. Partes de mim que não queria ver criava uma tampa, que me impedia de me acessar, e não deixava as pessoas me acessarem no mais profundo !
Em outras palavras, fugia de mim mesma, e evitava confrontos ! Pois o confronto com as pessoas acabam mostrando um pouco de nós !
E prá quem quer se esconder de si, e não querer se expor aos outros, é melhor ficar quietinha !
Sempre boazinha, na santa paz !!!
E aparentemente parece estar tudo bem !
Mas havia uma solidão interna imensa !
E para esta solidão achei a meditação como caminho na conexão com o meu ser interno, até a conexão com Deus, ou vibração Divina. Me trouxe muita liberação em vários níveis e guiança de seres de Luz !
Mas no naikan anterior, pensando tudo aquilo que foi alimento prá mim em todos os sentidos, percebi que tirando a natureza, o resto de tudo o que me alimentava o ser, eram as pessoas... que eu estava rodeada de pessoas, que eu buscava as pessoas...
Então como era essa percepção de mim como um ser que quer meditar, que quer ficar sozinha???
Aí, analisando objetivamente, fato apos fato, ano após ano, fui percebendo todo um universo, muito amplo, de pessoas da qual fui recebendo muita coisa em abundancia plena mesmo, e todos voces fazem parte do alimento de minha alma, que fui olhando mais profundamente, dentro de mim mesma, e fui percebendo que o que quero mesmo é fazer com as pessoas.
Que estava muito distante de todos voces, por estar distante de mim mesma, por estar fugindo de mim mesma !!!
Nossa ! Então o que eu vim fazendo até agora?
Onde estava o foco?
Como estava o eu de ate agora?
O que é ser um ser social?
Qual a menor célula social?
E aí vem o casal, né !!!
Como é fazer em casal !!!
Gente ! Estou super engatinhando ... em relação ao mundo social.
Sinto uma vontade de poder ser a propria expressão do ser essencialmente !
Estou daqui a pouco entrando em outro curso, e quero poder deixar mais apurado este foco de se olhar, lá do fundo, e na relação com o mundo, poder ver onde está o foco, e me abrir mais ao desconhecido de cada um, de cada momento !
Na verdade tem muito mais coisa prá falar, mas fica para um proximo encontro !
Grande abraço carinhoso a todos voces no coração...

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